Cotidiano Vale do Ribeira
Justiça arquiva processo contra procurador que agrediu chefe e foi diagnosticado com esquizofrenia
Demétrius Oliveira Macedo foi absolvido por inimputabilidade e cumpre tratamento psiquiátrico; caso ocorreu em Registro (SP) em 2022.
11/03/2025 16h07 Atualizada há 1 ano
Por: Fagner Vieira Fonte: G1 Santos
Justiça arquiva processo contra procurador que agrediu chefe e foi diagnosticado com esquizofrenia / Foto: Reprodução

A Justiça de Registro, no interior de São Paulo, arquivou o processo criminal contra o procurador Demétrius Oliveira Macedo, que agrediu a chefe Gabriela Samadello Monteiro de Barros durante o expediente na Prefeitura de Registro, em junho de 2022. Demétrius foi diagnosticado com esquizofrenia paranoide e considerado inimputável, ou seja, incapaz de responder penalmente pelos atos cometidos. Ele foi absolvido em 2023 e cumpre tratamento psiquiátrico obrigatório por três anos em um hospital de custódia. 

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O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo que mostra Demétrius agredindo a procuradora-geral com socos e chutes dentro do local de trabalho. Ele foi preso dias depois e, durante a custódia, apresentou episódios psicóticos, incluindo comportamentos compulsivos como a frangofilia (tendência a quebrar objetos). 

Absolvição e tratamento psiquiátrico 

Em 2023, a 1ª Vara da Comarca de Registro absolveu Demétrius com base em laudos médicos que atestaram sua esquizofrenia paranoide. O juiz responsável pelo caso destacou que, embora o ato praticado por Demétrius seja típico e antijurídico, ele não pode ser responsabilizado penalmente devido à sua condição de saúde mental. 

A sentença determinou que Demétrius fosse internado em um hospital de custódia para tratamento psiquiátrico por três anos. Ele foi transferido para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP) de Taubaté (SP) em fevereiro de 2024, onde recebe atendimento multidisciplinar com psiquiatras, psicólogos e outros especialistas. 

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Arquivamento do processo 

O processo criminal foi arquivado em 26 de fevereiro de 2024, após a sentença de absolvição transitar em julgado. De acordo com o advogado de Demétrius, Marco Antônio Modesto, o arquivamento é um procedimento normal após o cumprimento das medidas de segurança. 

"Como a fase de conhecimento acabou, o processo transitou em julgado e ele é encaminhado para o arquivo", explicou Modesto. O advogado também destacou que Demétrius vem apresentando melhora no quadro psiquiátrico com o tratamento médico. 

Possibilidade de indenização na esfera cível 

Embora o processo criminal tenha sido arquivado, a vítima, Gabriela Samadello, pode buscar reparação na esfera cível. Segundo o advogado Rodrigo Gago Barbosa, que não está envolvido no caso, pessoas consideradas inimputáveis não podem ser penalizadas criminalmente, mas podem ser responsabilizadas civilmente por danos morais ou materiais. 

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"Pessoas com transtornos ou patologias que lhes retiram o discernimento não podem ser condenadas penalmente, mas podem ser condenadas a indenizações na esfera cível", explicou Barbosa. 

Repercussão do caso 

O caso ocorreu em junho de 2022, quando Demétrius agrediu Gabriela Samadello dentro da Prefeitura de Registro. O episódio foi registrado em vídeo por uma colega de trabalho, que tentou intervir durante a agressão. As imagens mostram Demétrius xingando e espancando a vítima, que ficou com o rosto ensanguentado. 

Após a agressão, Demétrius foi preso e internado em um hospital psiquiátrico, onde recebeu o diagnóstico de esquizofrenia paranoide. Durante o período de custódia, ele apresentou comportamentos compulsivos, como a frangofilia, que chamaram a atenção das autoridades. 

Conclusão 

O arquivamento do processo contra Demétrius Oliveira Macedo encerra a fase criminal do caso, mas o procurador continuará em tratamento psiquiátrico por pelo menos três anos. A decisão da Justiça reforça a importância de considerar a saúde mental em casos de inimputabilidade, enquanto a vítima pode buscar reparação na esfera cível. 

Enquanto isso, Demétrius segue internado no HCTP de Taubaté, onde apresenta evolução no quadro psiquiátrico com o uso de medicação e acompanhamento médico. O caso serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas que garantam o tratamento adequado para pessoas com transtornos mentais e a proteção de vítimas de violência.