O governo do estado de São Paulo divulgou a relação final das 100 escolas estaduais que serão transformadas em Escolas Cívico-Militares (ECM) a partir do segundo semestre de 2025. A lista completa será publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (29), confirmando a implantação do programa em 89 municípios paulistas, incluindo a capital, região metropolitana, litoral e interior.
Leia também: Vendas e locações crescem em média 24,84% no Vale do Ribeira em março de 2025
O programa, que havia sido suspenso por cinco meses devido a ações judiciais em 2024, foi liberado após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no final do ano passado. Originalmente, a previsão da Secretaria Estadual da Educação era implementar o modelo apenas em 2026, mas o governo decidiu antecipar a execução para 2025 após consultas públicas e entendimento de que havia condições técnicas para a transição.
Das 100 escolas selecionadas, 80 estão em cidades com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) abaixo da média estadual, e 37 possuem IDH inferior à média nacional, segundo dados da pasta. A mudança deve impactar cerca de 50 mil estudantes.
Leia também: Caixa Econômica Federal realiza leilão virtual com 1.130 imóveis a partir de R$ 44,4 mil e descontos de até 40%
A Secretaria da Educação realizou três rodadas de consulta pública em 302 comunidades escolares que manifestaram interesse no modelo em 2024. Foram mais de 106 mil votos computados, com 87% de aprovação para a implantação das Escolas Cívico-Militares. Três unidades tiveram 100% dos votos válidos a favor da proposta.
Critérios de votação:
Puderam votar: pais, responsáveis por alunos menores de 16 anos, estudantes acima de 16 anos e profissionais da educação.
Aprovação exigida: quórum mínimo e maioria simples (50% + 1 dos votos válidos).
Escolas que não atingiram o quórum: 166 unidades ficaram de fora do programa.
Leia também: Motorista de ônibus perde controle e colide contra três carros estacionados no Vale do Ribeira (SP)
No Vale do Ribeira, cinco cidades farão parte do programa estadual – Registro, Jacupiranga, Cajati, Pariquera-Açu e Sete Barras. Confira as 100 escolas que adotarão o modelo:
Alfredo Machado — Dracena
Geraldo Pecorari Prof — Junqueirópolis
João Brásio — Panorama
Silvania Aparecida Santos Profa — Nova Odessa
Francisco Teodoro de Andrade — Andradina
Vâniole Dionysio Marques Pavan Profa — Araçatuba
João Michelin — Itaí
Maria Izabel Cruz Pimentel Dona — Avaré
Wilquem Manoel Neves Doutor — Olímpia
Morais Pacheco Prof — Bauru
Esmeralda Milano Maroni Professora — Birigui
Manoel Ferraz Professor — Bom Jesus dos Perdões
Marcos Antonio da Silva Guimarães Professor — Bragança Paulista
Mateus Nunes de Siqueira Padre — Atibaia
Mathilde Teixeira de Moraes Professora — Bragança Paulista
Narciso Pieroni — Socorro
Albino Fiore — Caieiras
Arthur Weingrill — Mairiporã
Eliseu Narciso Reverendo — Campinas
Messias Gonçalves Teixeira Professor — Campinas
Antonio Alves Bernardino — Caraguatatuba
Maisa Theodoro da Silva Professora — São Sebastião
Basílio Bosniac — Carapicuíba
Salomão Jorge Deputado — Carapicuíba
Joaquim Alves Figueiredo — Catanduva
Pedro Teixeira de Queiroz — Novo Horizonte
Vitorino Pereira Professor — Catanduva
Lourenço Filho Professor — São Paulo
Líbero de Almeida Silvares — Fernandópolis
Tonico Barão — General
Antonio Fachada Prof — Franca
Abraão Benjamim Prof — Cruzeiro
Leonor Guimarães Profa — Piquete
Antonio Velasco Aragon Padre — Guarulhos
Izabel Ferreira dos Santos Professora Dona Belinha — Guarulhos
Bairro das Palmeiras — Juquitiba
Jardim do Carmo — Itapecerica da Serra
Alceu Gomes da Silva Prof — Itapetininga
EE PEI Jeminiano David Muzel — Itapeva
Dorvalino Abílio Teixeira — Jandira
Lênio Vieira de Moraes Professor — Barueri
Amália Maria dos Santos — Itaquaquecetuba
Esther Carpinelli Ribas Professora — Itararé
Dinah Lúcia Balestrero Professora — Brotas
Esmeralda Leonor Furlani Calaf Professora — Pederneiras
João Batista Curado Professor — Jundiaí
Maria Gertrudes Cardoso Rebello Irmã — Limeira
Paulo de Almeida Nogueira Doutor — Cosmópolis
Fernando Costa — Lins
Benito Martinelli Prof — Marília
Lídia Yvone Gomes Marques Profa — Garça
Euryclides de Jesus Zerbini — Mogi das Cruzes
Thimóteo Van Den Broeck Frei — Mogi das Cruzes
São Judas Tadeu — Mogi Mirim
Anilza Pioli Professora — São Paulo
Gastão Ramos Professor — Osasco
Rosa Bonfiglioli — Osasco
Justina de Oliveira Gonçalves Professora — Ourinhos
Rubens Zamith Professor — Pindamonhangaba
Abigail de Azevedo Grillo Professor — Piracicaba
Edson Rontani — Piracicaba
Paulo de Barros Ferraz Professor — Pirassununga
Yolanda Salles Cabianca Professora — Araras
João Gomes Martins Coronel — Martinópolis
Teófilo Gonzaga da Santa Cruz — Presidente Prudente
Antonio Duarte de Castro — Jacupiranga
Koki Kitajima — Registro
Mary Azevedo de Carvalho Professora — Cajati
Mílcio Bazoli Professor — Pariquera-Açu
Plácido de Paula e Silva — Sete Barras
Antonio Marinho de Carvalho Filho — Presidente Venceslau
Adamastor de Carvalho Professor — Santo André
Ovídio Pires de Campos Professor — Santo André
Archimedes Bava Professor — Bertioga
Lincoln Feliciano — Cubatão
Arlindo Bittencourt Professor — São Carlos
Edda Cardozo de Souza Marcussi — São Joaquim da Barra
Alzira Salomão Professora — Nova Granada
Octacílio Alves de Almeida Professor — São José do Rio Preto
Valêncio Soares Rodrigues — Vargem Grande Paulista
Dagoberto Nogueira da Fonseca — Itanhaém
Josepha Castro Professora — Pontal
Orminda Guimarães Cotrim — Pitangueiras
Jorge Madureira Professor — Sorocaba
Lauro Sanchez Professor — Sorocaba
Marinalva Gimenes Colossal da Cunha — Sumaré
Yasuo Sasaki — Hortolândia
Lândia Santos Batista Professora — Ferraz de Vasconcelos
Eduardo Vaz Doutor — Embu das Artes
Carmela Morano Previdelli Profa — Taquaritinga
Sebastião Francisco Ferraz de Arruda Prof — Itápolis
Newton Câmara Leal Barros — Taubaté
Professora Luciana Damas Bezerra — Caçapava
Índia Vanuíre — Tupã
José Giorgi — Rancharia
Bairro do Turvo — Tapiraí
Maria Paula Ramalho Paes Professora — Piedade
Pedro Augusto Rangel Filho Professor — Votorantim
Pedro Pedrosa — Nhandeára
Sarah Arnoldi Barbosa Prof(a) — Votuporanga
As Escolas Cívico-Militares seguirão o Currículo Paulista, definido pela Secretaria da Educação. A seleção dos monitores (militares ou civis que atuarão nas unidades) será feita em parceria com a Secretaria da Segurança Pública, que avaliará histórico comportamental e processos judiciais dos candidatos.
O programa foi alvo de ações judiciais em 2024, com questionamentos sobre sua constitucionalidade. O Ministério Público Federal (MPF) e a Advocacia-Geral da União (AGU) consideraram o modelo inconstitucional, argumentando que não havia amparo na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
Em novembro de 2024, o ministro Gilmar Mendes (STF) derrubou a liminar do Tribunal de Justiça de SP (TJ-SP) que impedia a implantação, permitindo que o governo avançasse com o projeto. O STF ainda deve levar o tema a julgamento em plenário, dada a relevância da discussão.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu o programa, afirmando que as Escolas Cívico-Militares têm foco pedagógico, diferindo do treinamento militar tradicional. Segundo ele, a gestão será compartilhada entre educadores e monitores, mantendo a qualidade do ensino público.
Próximos Passos
Publicação oficial da lista no Diário Oficial.
Processo seletivo para monitores.
Adaptação das escolas ao novo modelo até o 2º semestre de 2025.
A implantação das Escolas Cívico-Militares em São Paulo representa uma das principais políticas educacionais do governo estadual, com expectativa de aumento na disciplina e desempenho escolar, segundo defensores do modelo. Críticos, no entanto, alertam para riscos de militarização do ensino público.