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CPTM estuda reativar linha Santos-Cajati para impulsionar o desenvolvimento do Vale do Ribeira

Conclusão dos estudos está prevista para 2028 e projeto deve revolucionar a mobilidade regional e impulsionar desenvolvimento econômico do Vale do Ribeira, considera uma região estratégia para a companhia

Por: Fagner Vieira Fonte: Por Registro Diário
30/04/2025 às 14h19 Atualizada em 05/05/2025 às 17h02
CPTM estuda reativar linha Santos-Cajati para impulsionar o desenvolvimento do Vale do Ribeira
CPTM estuda reativar linha Santos-Cajati para impulsionar o desenvolvimento do Vale do Ribeira / Foto: Fagner Vieira

A Companhia Paulistana de Trens Metropolitanos (CPTM) avança nos estudos para reativação da histórica linha ferroviária Santos-Cajati, que conectava o Porto de Santos ao Vale do Ribeira, no litoral sul paulista. Com previsão de conclusão dos estudos até 2028, o projeto promete revolucionar a mobilidade regional e impulsionar o desenvolvimento econômico do Vale do Ribeira, uma das regiões mais estratégicas e ao mesmo tempo mais carentes de infraestrutura no estado de São Paulo. 

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Detalhes do Projeto de Reativação 

A antiga ferrovia, que operou para passageiros até 1997 e para cargas até 2002, possui 198 quilômetros de extensão e está atualmente em fase de projeto funcional. A CPTM esclarece que estão sendo definidos os parâmetros técnicos, escopo e objetivos da reativação, com a previsão de utilizar o traçado original nos trechos onde a infraestrutura ainda se mantém preservada. 

Como parte do planejamento estratégico de longo prazo da CPTM, o projeto inclui a entrega ainda em 2025 de um completo mapeamento aéreo de todo o traçado, fundamental para avaliar o estado atual da via e planejar as intervenções necessárias. 

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Impacto no Desenvolvimento do Vale do Ribeira 

Especialistas apontam que a reativação da linha férrea pode transformar a realidade do Vale do Ribeira, região que historicamente sofre com dificuldades de acesso e infraestrutura precária. Luís Kolle, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP), destaca que o projeto beneficiará não apenas o turismo - um dos pilares econômicos da região - mas também o acesso da população local a serviços essenciais. 

"O Vale do Ribeira possui carência de serviços especializados de saúde. A nova linha permitirá que moradores de cidades como Cajati, Jacupiranga e Registro tenham acesso mais rápido aos hospitais e especialidades médicas da Baixada Santista", explica Kolle. 

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Opções Técnicas em Estudo 

Os estudos avaliam diferentes modalidades de transporte para a futura operação, com duas alternativas principais em análise: 

  • Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) - opção mais econômica para demanda moderada 

  • Trem suburbano - similar às composições atuais da CPTM, indicado para maior volume de passageiros 

Independentemente da opção escolhida, especialistas concordam que será necessária a reconstrução completa dos trilhos, já que a infraestrutura atual está completamente deteriorada após mais de duas décadas de abandono. 

O Conturbado Histórico da Ferrovia 

A linha Santos-Cajati viveu anos de descaso e disputas judiciais. Em 2014, o Ministério Público Federal moveu ação civil pública contra as últimas concessionárias (Ferroban S.A. e América Latina Logística), acusando-as de terem "sucateado de maneira escandalosa" a ferrovia. Segundo o procurador Thiago Lacerda Nobre, houve desvio de equipamentos e remoção ilegal de trilhos mesmo quando ainda existia demanda para operação de cargas. 

O processo judicial, que envolve múltiplos municípios do Vale do Ribeira, agências reguladoras e empresas concessionárias, permanece em tramitação. Em 2018, a Rumo S.A., última concessionária, declarou a inviabilidade econômica da reativação, devolvendo a responsabilidade sobre o patrimônio ao Governo Federal. 

Perspectivas para o Vale do Ribeira 

A reativação da linha férrea representa uma esperança para o desenvolvimento sustentável do Vale do Ribeira, prometendo: 

  • Melhoria na mobilidade regional 

  • Estímulo ao turismo ecológico e histórico 

  • Acesso facilitado a serviços de saúde e educação 

  • Integração econômica com a Baixada Santista 

  • Geração de empregos diretos e indiretos 

Enquanto os estudos avançam, autoridades e moradores do Vale do Ribeira aguardam ansiosamente por uma solução que possa devolver à região esse importante eixo de desenvolvimento, que foi abandonado por mais de duas décadas mas que guarda enorme potencial transformador para uma das áreas mais ricas em biodiversidade e cultura do estado de São Paulo. 

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