
A Companhia Paulistana de Trens Metropolitanos (CPTM) avança nos estudos para reativação da histórica linha ferroviária Santos-Cajati, que conectava o Porto de Santos ao Vale do Ribeira, no litoral sul paulista. Com previsão de conclusão dos estudos até 2028, o projeto promete revolucionar a mobilidade regional e impulsionar o desenvolvimento econômico do Vale do Ribeira, uma das regiões mais estratégicas e ao mesmo tempo mais carentes de infraestrutura no estado de São Paulo.
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A antiga ferrovia, que operou para passageiros até 1997 e para cargas até 2002, possui 198 quilômetros de extensão e está atualmente em fase de projeto funcional. A CPTM esclarece que estão sendo definidos os parâmetros técnicos, escopo e objetivos da reativação, com a previsão de utilizar o traçado original nos trechos onde a infraestrutura ainda se mantém preservada.
Como parte do planejamento estratégico de longo prazo da CPTM, o projeto inclui a entrega ainda em 2025 de um completo mapeamento aéreo de todo o traçado, fundamental para avaliar o estado atual da via e planejar as intervenções necessárias.
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Especialistas apontam que a reativação da linha férrea pode transformar a realidade do Vale do Ribeira, região que historicamente sofre com dificuldades de acesso e infraestrutura precária. Luís Kolle, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP), destaca que o projeto beneficiará não apenas o turismo - um dos pilares econômicos da região - mas também o acesso da população local a serviços essenciais.
"O Vale do Ribeira possui carência de serviços especializados de saúde. A nova linha permitirá que moradores de cidades como Cajati, Jacupiranga e Registro tenham acesso mais rápido aos hospitais e especialidades médicas da Baixada Santista", explica Kolle.
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Os estudos avaliam diferentes modalidades de transporte para a futura operação, com duas alternativas principais em análise:
Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) - opção mais econômica para demanda moderada
Trem suburbano - similar às composições atuais da CPTM, indicado para maior volume de passageiros
Independentemente da opção escolhida, especialistas concordam que será necessária a reconstrução completa dos trilhos, já que a infraestrutura atual está completamente deteriorada após mais de duas décadas de abandono.
A linha Santos-Cajati viveu anos de descaso e disputas judiciais. Em 2014, o Ministério Público Federal moveu ação civil pública contra as últimas concessionárias (Ferroban S.A. e América Latina Logística), acusando-as de terem "sucateado de maneira escandalosa" a ferrovia. Segundo o procurador Thiago Lacerda Nobre, houve desvio de equipamentos e remoção ilegal de trilhos mesmo quando ainda existia demanda para operação de cargas.
O processo judicial, que envolve múltiplos municípios do Vale do Ribeira, agências reguladoras e empresas concessionárias, permanece em tramitação. Em 2018, a Rumo S.A., última concessionária, declarou a inviabilidade econômica da reativação, devolvendo a responsabilidade sobre o patrimônio ao Governo Federal.
A reativação da linha férrea representa uma esperança para o desenvolvimento sustentável do Vale do Ribeira, prometendo:
Melhoria na mobilidade regional
Estímulo ao turismo ecológico e histórico
Acesso facilitado a serviços de saúde e educação
Integração econômica com a Baixada Santista
Geração de empregos diretos e indiretos
Enquanto os estudos avançam, autoridades e moradores do Vale do Ribeira aguardam ansiosamente por uma solução que possa devolver à região esse importante eixo de desenvolvimento, que foi abandonado por mais de duas décadas mas que guarda enorme potencial transformador para uma das áreas mais ricas em biodiversidade e cultura do estado de São Paulo.