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São Paulo registra 44 casos de febre oropouche em 2025, com aumento de 450% em relação a 2024; Vale do Ribeira e Litoral Norte são as regiões mais afetadas

Este ano, até o momento, o Brasil registrou 10.076 casos da doença, número ainda abaixo do total de 2024 (13.853)

Por: Fagner Vieira Fonte: https://www.msn.com/
24/05/2025 às 12h50 Atualizada em 29/05/2025 às 18h19
São Paulo registra 44 casos de febre oropouche em 2025, com aumento de 450% em relação a 2024; Vale do Ribeira e Litoral Norte são as regiões mais afetadas
São Paulo registra 44 casos de febre oropouche em 2025, com aumento de 450% em relação a 2024; Vale do Ribeira e Litoral Norte são as regiões mais afetadas / Foto: Reprodução

O estado de São Paulo já confirmou, em 2025, 44 casos de febre oropouche, um aumento expressivo de 450% em comparação com todo o ano de 2024, quando o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) notificou apenas oito ocorrências da doença no território paulista. Todos os casos registrados neste ano são autóctones, ou seja, foram contraídos no local de residência dos pacientes, sem histórico de viagem para áreas com maior incidência da arbovirose. Uma morte está sob investigação. 

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De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, os 44 casos confirmados em 2025 estão concentrados na região de Registro – que abrange municípios como Cajati, Juquiá, Miracatu, Eldorado, Pedro de Toledo, Itariri e Sete Barras – e no Litoral Norte, especialmente em Ubatuba. Já em 2024, todas as infecções foram registradas exclusivamente no Vale do Ribeira, mais precisamente nas cidades de Cajati, Juquiá, Pedro de Toledo e Sete Barras, sem nenhum óbito confirmado. 

O avanço do vírus oropouche e a adaptação do mosquito transmissor 

A febre oropouche é uma arbovirose transmitida pela picada do mosquito Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. A doença é considerada endêmica em algumas regiões da América Latina, principalmente na Amazônia, mas, nos últimos anos, o vírus tem rompido barreiras geográficas, expandindo-se para outras áreas do Brasil. 

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Segundo Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de infectologia da Unesp e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, o mosquito transmissor tem se adaptado cada vez mais a ambientes urbanos, o que facilita a disseminação da doença em regiões densamente povoadas. 

"O mosquito-pólvora é muito pequeno, quase imperceptível a olho nu, e tem demonstrado grande capacidade de se proliferar em áreas com deficiências de saneamento básico e alta circulação de pessoas. Isso explica, em parte, o aumento de casos em regiões como o Vale do Ribeira e o Litoral Norte de São Paulo", afirma Barbosa. 

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Cenário nacional e primeiras mortes confirmadas 

Em 2024, o Ministério da Saúde confirmou as duas primeiras mortes por febre oropouche no mundo, ambas ocorridas na Bahia. As vítimas eram mulheres com menos de 30 anos, sem comorbidades, mas que apresentaram sintomas graves semelhantes aos da dengue hemorrágica. 

Este ano, até o momento, o Brasil registrou 10.076 casos da doença, número ainda abaixo do total de 2024 (13.853), mas que já supera amplamente os 833 casos notificados em 2023. Além de São Paulo, o Rio de Janeiro também confirmou duas mortes pela doença nesta quarta-feira (21). 

Barbosa ressalta que, embora o número absoluto de casos em São Paulo ainda não seja alarmante, o crescimento é significativo e acompanha uma tendência nacional de expansão da arbovirose. 

Possíveis causas do aumento de casos e descobertas científicas 

Especialistas apontam que a maior vigilância epidemiológica, com a ampliação de testes diagnósticos e a conscientização de profissionais de saúde, pode explicar parte do aumento nos registros. No entanto, fatores ambientais e mutações virais também estão em análise. 

Um estudo publicado em 2024 por pesquisadores da Fiocruz Amazônia e da Unicamp revelou que uma nova variante do vírus oropouche (Orov) se replica cerca de cem vezes mais em células de mamíferos do que a cepa original. Além disso, eventos climáticos extremos na Amazônia podem ter alterado a dinâmica de transmissão do vírus, contribuindo para sua disseminação. 

Riscos da transmissão vertical e sintomas da doença 

A febre oropouche também preocupa devido a evidências de transmissão vertical (de mãe para filho durante a gestação). Em 2024, o Ministério da Saúde confirmou um caso no Acre em que um bebê nasceu com malformações congênitas associadas à doença, incluindo microcefalia e problemas articulares, semelhantes aos causados pelo zika vírus entre 2015 e 2018. A criança morreu 47 dias após o nascimento. 

Os sintomas da febre oropouche incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares, diarreia, tontura, náuseas e, em alguns casos, erupções cutâneas. 

Medidas de prevenção recomendadas 

Para evitar a proliferação do mosquito transmissor, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo recomenda: 

  • Uso de roupas claras e que cubram a maior parte do corpo; 

  • Aplicação de repelente em áreas expostas; 

  • Limpeza de terrenos e locais de criação de animais; 

  • Recolhimento de folhas e frutos caídos no solo; 

  • Instalação de telas de malha fina em portas e janelas. 

A vigilância contínua e a adoção de medidas preventivas são essenciais para conter o avanço da febre oropouche, especialmente em regiões como o Vale do Ribeira, que tem se mostrado uma das áreas mais vulneráveis à disseminação da doença no estado de São Paulo. 

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