Cotidiano Estudo Unesp
Estudo da Unesp de Registro revela que ostra invasora se multiplica no litoral do Vale do Ribeira e preocupa especialistas
Típica dos oceanos Índico e Pacífico, a ostra Saccostrea foi encontrada em 2017 em Cananeia e dispõe de condições favoráveis para se disseminar por aqui
26/05/2025 14h55
Por: Fagner Vieira Fonte: revistaplaneta.com.br
Estudo da Unesp de Registro revela que ostra invasora se multiplica no litoral do Vale do Ribeira e preocupa especialistas / Foto: Divulgação Unesp Registro

Uma espécie exótica de ostra originária dos oceanos Índico e Pacífico está se espalhando rapidamente pelo Vale do Ribeira, mais especificamente na região estuarina de Cananéia, no litoral sul de São Paulo. A Saccostrea, identificada pela primeira vez na área em 2017, vem se reproduzindo em larga escala e representa um potencial risco para o ecossistema local, conhecido por sua rica biodiversidade e reconhecido pela UNESCO como parte do Mosaico de Áreas Protegidas do Lagamar. 

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Ameaça à biodiversidade do Vale do Ribeira 

A região afetada abriga importantes unidades de conservação, como a Reserva Extrativista do Taquari e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Itapinhapima, ambas integrantes de um dos mais relevantes sistemas de manguezais do Brasil. A presença da Saccostrea preocupa pesquisadores, já que sua rápida proliferação pode competir com espécies nativas, como a ostra Crassostrea, tradicionalmente encontrada nos manguezais do Vale do Ribeira. 

Segundo a professora Marília Cunha Lignon, do curso de Engenharia de Pesca da Unesp em Registro, a espécie invasora se reproduz por meio de larvas, o que facilita sua dispersão. "Em cada ciclo reprodutivo, milhares de larvas são liberadas no estuário, tornando difícil o controle dessa expansão", explica. Ainda não se sabe ao certo quais impactos a Saccostrea pode causar à fauna e flora locais, mas estudos estão sendo intensificados para evitar possíveis desequilíbrios ecológicos. 

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Monitoramento e ações de controle no Vale do Ribeira 

Uma equipe multidisciplinar, composta por pesquisadores da Unesp, gestores da Fundação Florestal, biólogos e pescadores tradicionais, tem atuado no mapeamento e controle da espécie invasora. Durante a Semana de Conservação dos Manguezais de Cananéia, realizada recentemente, foram coletados 50 quilos de ostras Saccostrea para análise. 

Os exemplares recolhidos estão sendo medidos e estudados por alunos do curso de Engenharia de Pesca da Unesp em Registro, que avaliam dimensões como largura, comprimento e altura das ostras. O objetivo é entender melhor o comportamento da espécie no ambiente e desenvolver estratégias de manejo para evitar que ela comprometa a biodiversidade do Vale do Ribeira. 

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Integração entre conhecimento acadêmico e saberes tradicionais 

A professora Lignon destaca a importância da parceria entre universidade, órgãos ambientais e comunidades locais. "Ao levar os alunos para o campo, eles não apenas aprendem na prática, mas também valorizam o conhecimento tradicional dos pescadores, que conhecem profundamente a dinâmica dos manguezais", afirma. 

Wanilton Polachini Batista, estudante de Engenharia de Pesca da Unesp em Registro, reforça a relevância da iniciativa: "Essa ação conjunta mostra o comprometimento de todos com a preservação do ecossistema, que é vital para diversas espécies marinhas e para a subsistência das comunidades do Vale do Ribeira". 

Próximos passos e alerta para o futuro 

Os resultados das pesquisas serão apresentados em congressos científicos e servirão de base para políticas públicas de controle da espécie invasora. Enquanto isso, o monitoramento contínuo e a conscientização das comunidades locais seguem como prioridades para evitar danos irreversíveis ao frágil ecossistema do Vale do Ribeira. 

A situação reforça a necessidade de investimentos em pesquisas e ações preventivas para proteger uma das regiões mais biodiversas do litoral brasileiro, onde o equilíbrio ambiental é fundamental não apenas para a natureza, mas também para a economia e a cultura das populações tradicionais que dependem dos manguezais para sua sobrevivência.