Uma preocupante contaminação por óleo foi confirmada no Rio Ribeira, um dos mais importantes rios que atravessam os estados do Paraná e de São Paulo. O incidente, que já está gerando grande preocupação ambiental, teve sua origem em um vazamento proveniente de uma antiga empresa metalúrgica desativada. A confirmação da grave situação foi divulgada nesta quarta-feira, 2 de julho, pelo Instituto Água e Terra (IAT), órgão vinculado à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável do Paraná.
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A Secretaria de Meio Ambiente de Adrianópolis, no Paraná, já havia alertado sobre o vazamento no dia 26 de junho, informando que a substância oleosa partiu das instalações da antiga Plumbum e representava um risco iminente de contaminação para diversas cidades diretamente influenciadas pelas águas do rio. Entre os municípios em alerta, estão Itaoca (SP), Iporanga (SP), Eldorado (SP), além da própria Adrianópolis (PR). Em resposta à situação, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) prontamente instaurou um procedimento para investigar o ocorrido e tomar as medidas cabíveis.
A empresa Plumbum do Brasil Ltda., apontada como a origem do vazamento da substância oleosa que agora atinge o leito do Rio Ribeira de Iguape, suspeita que os tanques tenham sido sabotados. A companhia esclareceu que o local onde ocorreu o vazamento pertence à antiga Plumbum Metalúrgica, um outro CNPJ que encerrou suas atividades há aproximadamente 30 anos, em 1995. O piche, um tipo de óleo BPF (óleo para asfalto), permaneceu nos tanques com os registros fechados desde então, mas, segundo a empresa, alguém teria aberto esses equipamentos. A Plumbum do Brasil Ltda. atual informou que não atua no local exato do vazamento, mas em uma área próxima à unidade, focada em reiniciar atividades no ramo de mineração e beneficiamento de calcário.
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De acordo com Alessandra Pauka, agente fiscal e engenheira química do IAT, a vistoria realizada no local revelou um grande volume de óleo combustível vazando da área onde a antiga empresa funcionava. "Esse óleo ficou retido e agora a tubulação do transporte do óleo rompeu. A contaminação do rio está bastante grave", afirmou Pauka em um vídeo divulgado sobre a situação. A vistoria conjunta contou com a participação de representantes da Secretaria de Meio Ambiente de Adrianópolis e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), reforçando a seriedade do problema.
Em resposta à urgência da situação, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu uma notificação formal à Plumbum do Brasil Ltda. na segunda-feira, 30 de junho, estabelecendo medidas emergenciais rigorosas para a contenção do material e a mitigação dos impactos ambientais. As determinações do Ibama incluem:
Instalação imediata de barreiras de contenção na área de lançamento do óleo, visando impedir sua dispersão;
Coleta e análise da água em pontos estratégicos do rio para monitorar a extensão da contaminação;
Limpeza das áreas afetadas, abrangendo tanto as instalações industriais quanto a rede de drenagem impactada;
Armazenamento adequado dos resíduos contaminados, garantindo que não haja novas fontes de poluição;
Apresentação de documentação sobre eventuais embargos ou termos de ajustamento de conduta anteriores relacionados ao local.
O Ibama alertou que o descumprimento total ou parcial dessas medidas poderá acarretar sanções administrativas severas ao proprietário da empresa, conforme previsto na legislação ambiental vigente. A Plumbum do Brasil Ltda. informou que as equipes estão trabalhando intensivamente desde terça-feira, 1º de julho, para cumprir todas as medidas solicitadas e resolver a situação o mais rapidamente possível. A empresa também garantiu que está providenciando análises químicas detalhadas no entorno da unidade para assegurar que não houve contaminação da água do rio, destacando que o óleo é denso e não contamina o lençol freático.
Apesar da gravidade do vazamento, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que, até o momento, não foram identificadas alterações na qualidade da água captada e distribuída às cidades de Iporanga, Eldorado, Sete Barras, Registro, Ilha Comprida e Iguape. Contudo, a Sabesp mantém um monitoramento constante dos mananciais para garantir que todos os índices de qualidade permaneçam dentro dos parâmetros exigidos pela legislação.
As prefeituras de Iporanga e Eldorado, por meio de comunicados divulgados em suas redes sociais, alertaram a população sobre o risco de contaminação para as águas e o ecossistema da região, confirmando que estão monitorando de perto a situação. Em suas notas, as prefeituras orientaram os moradores a evitarem contato com a água do rio e a acionarem a Defesa Civil ou a Secretaria de Meio Ambiente local em caso de identificação de manchas ou qualquer alteração na água.
O secretário do Meio Ambiente de Adrianópolis, Michel Coutinho Hamon Mello, explicou que os responsáveis pelo local e o Instituto Água e Terra (IAT), setor de Acidentes Ambientais, foram acionados para executar os protocolos de segurança, limpeza e descontaminação. O Rio Ribeira de Iguape é o principal da bacia hidrográfica do Vale do Ribeira e banha outras importantes cidades do estado de São Paulo, como Registro, Pariquera-Açu, Barra do Chapéu, Itapirapuã Paulista, Apiaí e Ribeira. As autoridades afirmam que, até o presente momento, não há risco de contaminação para esses municípios mais distantes do ponto de vazamento.