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Chá artesanal do Vale do Ribeira conquista mercado global após processo de formalização

O Sítio Shimada tem apostado na formalização e na inovação na produção de chás, o que o levou a se destacar como referência no setor, tanto no Brasil quanto no exterior.

Por: Fagner Vieira Fonte: Canal Rural
05/05/2025 às 16h11 Atualizada em 09/05/2025 às 17h05
Chá artesanal do Vale do Ribeira conquista mercado global após processo de formalização
Chá artesanal do Vale do Ribeira conquista mercado global após processo de formalização / Foto: Divulgação

No coração do Vale do Ribeira, região conhecida por sua rica biodiversidade e produção agrícola tradicional, uma história de empreendedorismo rural vem ganhando destaque nacional e internacional. O Sítio Shimada, localizado em Registro (SP), transformou-se em um case de sucesso ao levar seu chá artesanal para novos mercados após investir na formalização do negócio. O empreendimento, que já foi ameaçado pela concorrência internacional, hoje é referência em qualidade e inovação, provando que a legalização pode ser o caminho para o crescimento sustentável de pequenos produtores rurais. 

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Da crise à reinvenção: a trajetória do Sítio Shimada 

A produção de chá no Vale do Ribeira já foi uma das principais atividades econômicas da região entre as décadas de 1970 e 1980. No entanto, a partir dos anos 1990, o setor entrou em declínio devido à forte concorrência de mercados estrangeiros, como a Argentina, que dominou o fornecimento de matéria-prima para grandes indústrias. Foi nesse contexto que Ume Shimada, então com 87 anos, decidiu resgatar a tradição familiar e fundou, em 2014, a Fábrica Artesanal de Chá Preto em um terreno herdado de seus pais. 

"Naquela época, as empresas já não compravam mais nosso chá. A única solução foi montar nossa própria minifábrica para processar a produção internamente", explica Teresinha Shimada, filha de Ume e atual responsável pelo negócio. A iniciativa permitiu que a família mantivesse viva uma cultura que parecia fadada ao esquecimento, mas ainda faltava um elemento crucial: a formalização do empreendimento. 

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O papel da formalização na expansão do negócio 

Foi com o apoio do Sebrae/SP que a família Shimada deu o passo decisivo para transformar sua produção artesanal em um negócio legalizado. Por meio de cursos e consultorias, os produtores entenderam a importância de ter um CNPJ e regularizar sua atividade. 

"Depois que fizemos os cursos do Sebrae, percebemos que a formalização era essencial para crescer e expandir", afirma Teresinha. O processo abriu portas para novos mercados, incluindo vendas para outros estados brasileiros e até para o exterior, colocando o chá do Vale do Ribeira no radar de consumidores exigentes em busca de produtos diferenciados e de origem sustentável. 

Michelle Santos, gerente regional do Sebrae/SP no Vale do Ribeira, destaca os benefícios da formalização: 

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"Além de garantir direitos previdenciários, como auxílio-doença e aposentadoria, o CNPJ dá credibilidade ao negócio, facilitando participação em editais, compras coletivas e acesso a linhas de crédito. Foi isso que permitiu ao Sítio Shimada escalar sua produção e explorar novos nichos." 

Cenário nacional: pequenos negócios em ascensão 

A história do Sítio Shimada reflete uma tendência nacional. Dados do Sebrae mostram que, no primeiro trimestre de 2025, foram abertos 1.407.010 novos CNPJs no país, com os Microempreendedores Individuais (MEIs) respondendo por 78% do total. O crescimento foi de 35% em relação ao mesmo período de 2024, com destaque para estados como Ceará, Piauí e Amazonas, onde o número de novos negócios aumentou mais de 50%. 

No Vale do Ribeira, iniciativas como a do Sítio Shimada têm inspirado outros produtores a seguirem o mesmo caminho. "Nossa história mostrou que é possível transformar uma propriedade rural com planejamento e formalização. Muitos agricultores da região estão criando suas próprias minifábricas e diversificando a produção", comemora Teresinha. 

Inovação e visão para o futuro 

Com o negócio consolidado, a família Shimada agora investe em produtos inovadores, como cerveja à base de chá defumado e chá gaseificado, ampliando seu portfólio para atender diferentes perfis de consumidores. 

"A formalização nos deu segurança para ousar. Hoje, temos uma visão mais ampla e estamos sempre buscando novas oportunidades", afirma Teresinha, que já prepara a quarta geração para dar continuidade ao legado. 

O caso do Sítio Shimada ilustra como a combinação de tradição, formalização e inovação pode revitalizar economias locais. Para quem visita o Vale do Ribeira, a fábrica tornou-se um ponto de parada obrigatório, onde é possível conhecer o processo artesanal de produção e provar chás premiados – uma prova viva de que, mesmo em um mundo globalizado, há espaço para produtos que carregam a identidade e a história de suas regiões. 

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